
• Como surgiu a idéia de realizar o Eco Fashion Brasil?
Surgiu há uns 10 anos quando em um curso de mestrado da qualidade desenvolvi um trabalho com foco em eco-business. Naquele momento a moda brasileira começava a experimentar o boom cujos resultados já vemos há algumas temporadas, como a organização e profissionalização do setor, o surgimento de novos talentos, a expansão nacional e internacional, a melhoria dos processos na indústria têxtil e de confecção, etc. Vislumbrando as possibilidades do eco business, embasado em aspectos sócio-ambientais e culturais na indústria da moda, veio então a idéia do Eco Fashion, cuja formatação busca principalmente incursionar no meio acadêmico a questão da sustentabilidade na moda.
• Quais seus principais objetivos?
Revelar novos talentos ao mercado da moda, apresentar ao mercado alternativas corretas para a concepção de vestuário, desenvolver e estimular ações onde a causa da sustentabilidade seja abraçada pelo meio da moda e fomentar estratégias para ações de preservação, desenvolvimento sustentável e eco business. Estes são os principais objetivos do Prêmio Eco Fashion Brasil.
• Qual o público-alvo do evento?
No âmbito do concurso em si são os estudantes universitários de moda e novos talentos formados há até 2 anos. Adicionalmente, empresários, imprensa, autoridades e pessoas ligadas à moda, eco design, etc. Um público formador de opinião.
• Como os participantes podem enviar seus projetos para o Eco Fashion Brasil?
As inscrições podem ser feitas através do site do concurso, o www.ecofashionbrasil.com, sendo que os projetos dos candidatos devem ser encaminhados via postal até o dia 29/agosto/2008. Os projetos devem ser desenvolvidos e enviados de acordo com as instruções definidas no regulamento do concurso disponível no site.
• Na edição piloto, o Eco Fashion Awards, notamos que os vencedores são de diferentes regiões do Brasil. Como você vê a moda brasileira atualmente em sua diversidade não só geográfica, mas também conceitual?
Vejo que a criatividade brasileira, que surge da rica diversidade cultural de nosso país, está conduzindo a moda feita no Brasil ao seu lugar de destaque no cenário internacional, sendo cada vez mais respeitada, apreciada, valorizada e consumida. Neste sentido e em tempos de globalização, penso que o tema do concurso é bem oportuno.
Na edição piloto recebemos inscrições de 11 estados brasileiros. Nesta edição 2008 temos como meta receber projetos de pelo menos 15 estados.
• Para o ano de 2008 foi escolhido o tema “Antropofagia: Ontem, Hoje e Sempre”, como se deu a escolha do tema? E como é fazer moda com a “cara” do Brasil?
O tema foi escolhido em homenagem aos 80 anos do Manifesto Antropofágico, criado por Oswald de Andrade. O Manifesto foi lido em 1928 para os amigos de Oswald na casa de Mário de Andrade, e publicado na Revista de Antropofagia, que ajudou a fundar com os amigos Raul Bopp e Antônio de Alcântara Machado. Com uma linguagem metafórica cheia de aforismos poéticos e com muito humor, o Manifesto torna-se o cerne teórico do movimento que teve como objetivo repensar a questão da identidade brasileira e da ‘dependência’ cultural no Brasil.
A moda com a “cara” do Brasil é uma moda que reúne diversas referências, não só vindas da moda em si, mas também da música, do cinema, das artes visuais, das ruas, da televisão; uma moda cuja “cara” é multifacetada, antropofágica mesmo.
• Como você vê a questão de sustentabilidade através da moda?
Vejo como mais uma possibilidade de conscientização da sociedade para a questão sócio-ambiental. Um outro objetivo que temos para o projeto é o de executá-lo sob filosofia e diretrizes sócio-ambientais, e da moda como cultura, pelo motivo de a moda ser uma extensão da personalidade e do comportamento humano, que reflete a evolução da sociedade e de seus grupos sociais ao longo dos séculos. E nestes tempos onde a deterioração das condições ambientais em nível global é fato, esta “evolução da sociedade” inclui a relação com a questão da sustentabilidade ambiental e econômica. Por isso concebemos o Prêmio Eco Fashion Brasil como um processo incentivador à descoberta e à utilização de alternativas ambientalmente corretas na moda, buscando estimular o “Vestir Consciente”.
• Você pode nos explicar os critérios usados para as avaliações artística e ambiental dos projetos enviados ao Eco Fashion?
São critérios artísticos, de design, e critérios sócio-ambientais.
Para a Avaliação Artística, a criatividade, o design, a inovação e o desenvolvimento de soluções. Serão avaliados por meio da análise das peças de apresentação do projeto, que são o desenvolvimento temático, a descrição da coleção, os croquis, a cartela de cores, as amostras dos materiais e a ficha técnica.
Para o aspecto Sócio-Ambiental do concurso, será avaliada a qualidade sócio-ambiental de cada matéria-prima utilizada e de seu processo de obtenção e processamento, o processo produtivo da matéria-prima até a obtenção do tecido ou material de uso final na confecção do traje, e a qualidade sócio-ambiental do tecido ou produto acabado, bem como o seu comportamento pós-uso.
As informações a respeito dos aspectos sócio-ambientais do projeto inscrito deverão ser fornecidas pelo candidato de acordo com as definições constantes no regulamento do concurso.
• É sabido que o júri do Eco Fashion é formado por grandes nomes da moda, você pode nos adiantar alguns nomes que farão parte desta edição?
Estamos fechando os nomes, tanto do júri de seleção quanto do júri de premiação, que dependem de agenda devido ao calendário de moda nacional. Mas podemos adiantar que entre os nomes a confirmar estão os estilistas Jum Nakao, Ronaldo Fraga, Dudu Bertholini e Karla Girotto, o stylist Daniel Ueda, e a ex-modelo e ex-coordenadora do extinto Phytoervas Fashion (evento precursor da SPFW) Betty Prado, para a avaliação artística, e os nomes da Profª Drª Rachel Negrão Cavalcanti, Fábio Souza do IDDS e Ana Cândida Zanesco do Instituto Ecotece, entre outros, para a avaliação sócio-ambiental.